Comunidade Imaginada

:: coisas da antropologia ::

Arquivo para Abril, 2008

Livro de John L. Esposito dá voz a 1 bilião de muçulmanos

Who speaks for Islam?

Os resultados de um inquérito extensivo, abrangendo cerca de 90% da comunidade muçulmana em mais de 35 países, são divulgados num livro de John L. Esposito e Dalia Mogahed, Who Speaks for Islam? What a Billion Muslims Really Think, publicado em Março pela Gallup Press, a editora do instituto de sondagens Gallup.

O site da Gallup Press publica alguns excertos do livro (Islam and the West: Clash or Coexistence?, What Do Muslim Women Want?, What Makes a Radical?, entre outros).

Esposito apresenta o livro no blog The Immanent Frame e numa entrevista ao CounterPunch, “Who Speaks for a Billion Muslims?”; e no blog Nouvelles d’Orient, do Le Monde Diplomatique, uma recensão (“Que veulent les musulmans?”, por Alain Gresh) resume alguns dados resultantes do inquérito e apresentados no livro.

No texto de apresentação do livro, em The Immanent Frame, Esposito afirma:

The politicization of scholars, experts and media commentators post 9/11 has created a minefield for policymakers and the general public. Many are caught between the contending positions of seemingly qualified experts as well as a new cadre of Islamophobic authors and their revisionist readings of Islam and Islamic history. Today, we now have a new empirically grounded tool that enables us to go beyond the limited interpretations and opinions of experts when asking: What do Muslims think, what do they care about, and what do they want?

The Gallup Organization has produced the largest, most comprehensive polling/study of Muslims ever done, based on a sample representing more than 90% of the world’s 1.3 billion Muslims: young and old, educated and illiterate, female and male, living in urban and rural settings. Between 2001 and 2007, Gallup conducted more than 50,000 hour-long, face-to-face interviews with residents of more than 40 nations that are predominantly Muslim or have substantial Muslim populations.

The result is the book Who Speaks for Islam? What a Billion Muslims Really Think, which I co-authored with Dalia Mogahed, Director of the Gallup Center for Muslim Studies. The results are often startling, challenging the conventional wisdom, and we expect them to stir both interest and debate. (Rethinking secularism: Who speaks for Islam?, posted by John Esposito).

Arrumações da Primavera

Durante as próximas semanas, e na medida em que a disponibilidade permitir, a “comunidade” vai mobilizar esforços para limpezas em casa, arrumações e (re)organização de conteúdos.

O objectivo inicial deste blog foi – e continua a ser – a recolha e sistematização de alguns recursos, informações, materiais diversos, recolhidos na net, que podem apoiar o estudo e a investigação nas áreas da antropologia e respectivos cruzamentos interdisciplinares. Os critérios de selecção são muito pessoais e prendem-se com os interesses de momento dos participantes no blog e com a “convicção militante” de que os direitos de acesso ao saber, ao conhecimento, devem estar ao alcance de quem os procura – convicção que está na base do movimento “open source“, académico e “internáutico”, pelo acesso livre à produção científica.

O crescimento contínuo de instituições, investigadores, editoras, blogs, sites académicos, etc, que disponibilizam conteúdos e recursos valiosos, sem restrições de acesso, fez crescer o rol de ligações, de referências e de conteúdos da “comunidade”. Impõe-se agora um esforço de selecção mais rigoroso e uma reorganização mais sistemática. A ideia é que o que se perder em quantidade reverta em maior qualidade.

As alterações serão graduais e, provavelmente, lentas. Em post, daremos notícia à medida que forem surgindo.

Sugestões, reclamações, propostas… são todas bem vindas.

[CM]

Crises, conflitos e guerras no Mediterrâneo

Cahiers de la Méditerranée, revista do Centre de la Méditerranée Moderne et Contemporaine, edita duas vezes por ano números temáticos de “estudos Mediterrânicos”, numa perspectiva interdisciplinar. O portal revues.org disponibiliza os textos integrais dos números editados entre 2001 e 2007.

Os vols. 70 e 71, de 2005, são dedicados às crises e conflitos no Mediterrâneo:

«La démarche qui inspire cette introduction n’est pas de donner l’explication définitive, sur le monde méditerranéen à la fois complexe et compliqué, et traversé de multiples zones de fractures. Il n’y a d’ailleurs jamais une seule explication en histoire. L’objet de ce propos introductif sera donc modeste. Il s’agit de penser la Méditerranée au cœur des Etats et des hommes, là où se nouent les mécanismes qui produisent et nourrissent la violence. J’essayerai de mettre l’accent sur quelques repères et de répondre à une question essentielle : la Méditerranée a-t-elle jamais été une mer de paix ?» [Samya El Mechat, "La Méditerranée, « paix et guerre entre les nations »", introdução aos números temáticos]

 Destaque: Maher Charif, “Un siècle d’histoire: comment comprendre la persistance du conflit arabo-israélien?”

Resumo : “Cette étude propose, en recourant à l’histoire du conflit arabo-israélien, d’analyser quelques facteurs et phénomènes essentiels qui l’ont exacerbé et qui ont entravé sa résolution, comme la nature originelle du projet sioniste, les racines du « refus » arabe, les mutations, sociales et politiques, survenues en Israël depuis la fin des années 1970, les relations privilégiées entre Israël et les Etats-Unis, ainsi que les raisons de l’« impuissance » arabe.”

[CM]

Como viver no espaço seguindo os preceitos do Islão

O seu a seu dono: este post é decalcado do Centro do Ego, onde pode ser lida a transcrição integral da notícia do Público, de Outubro de 2007.

Segundo a notícia (excertos):

“No espaço, como é que um muçulmano sabe em que direcção fica Meca, a cidade mais sagrada do islão, para poder rezar voltado para lá? E tem de cumprir à risca o preceito de orar cinco vezes por dia, começando antes do nascer Sol e acabando depois de se pôr? Se assim for, tem de rezar 80 vezes, porque, em órbita, o Sol nasce e põe-se a cada 90 minutos. Ou, ainda, como é que um crente islâmico se mantém em pé e depois se curva e deita no chão enquanto reza, se lá em cima tudo flutua?
Tantas interrogações foram desencadeadas pela viagem de Sheikh Muszaphar Shukor, o primeiro astronauta que a Malásia pôs a dar voltas e mais voltas à Terra (…)

Em Abril do ano passado, a Agência Espacial Nacional e o Departamento do Desenvolvimento Islâmico da Malásia organizaram um seminário sobre O Islão e a Vida no Espaço, onde se reuniram 150 cientistas e académicos muçulmanos, lembra a revista Wired. Identificar e propor soluções para os problemas relacionados com o cumprimento dos preceitos e das práticas do Islão (o Ibadah) no espaço, em particular na ISS, era o objectivo.
O resultado está num pequeno documento, o Guia para a Realização do Ibadah na Estação Espacial Internacional, ao qual o Conselho Nacional da Fatwa da Malásia (uma fatwa é um édito religioso) deu aval.
Assim, o guia estabelece a maneira como, no espaço, os muçulmanos devem lavar ritualmente o rosto, as mãos, os braços ou os pés antes da oração; como devem limpar-se de todas as impurezas depois de urinar e defecar; quantas vezes por dia devem cumprir o ritual da oração, para onde devem estar voltados quando rezam e em que posições corporais; como jejuar; e como cuidar dos mortos.
Para não haver confusões, o documento esclarece que o “espaço” é o que está para lá da atmosfera terrestre, não vá pensar-se que a uma simples viagem de avião poderão aplicar-se estas orientações.”

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