Cultura e Cognição
Luís Quintais
Angelus Novus, 2009.
(“O Essencial Sobre” – Biblioteca Mínima, série Antropologia, coord. Luís Quintais)
“A mente é função de uma variedade de modelos neurológicos de diferentes graus de flexibilidade, o que nos permite justificar quer a diversidade psíquica da espécie quer a sua unidade psíquica essencial. À luz disto, podemos realizar ainda como o debate unidade/diversidade se baseia numa falsa dicotomia. Esta falsa dicotomia entre unidade e diversidade traduz uma outra: a separação entre a mente e acultura, ou, de outro modo, e para esclarecer o equívoco que aí habita, entre a suposta estruturação universal do contínuo cérebro-mente e a contingência e flutuação empírica dos modos de vida em que se desbobram as culturas humanas.”
Explicação e Hermenêutica
Filipe Verde
Angelus Novus, 2009.
(“O Essencial Sobre” – Biblioteca Mínima, série Antropologia, coord. Luís Quintais)
“Algumas obras humanas têm um poder magnético sobre os homens, no sentido em que, geração após geração, não apenas os acompanham mas também delimitam severamente a sua visão e entendimento de si e do mundo, e essas obras são invariavelmente o que nós chamamos obras de arte. O que define cada comunidade, o seu modo único e sempre total de ser – o seu entendimento do que é um ser humano, a sociedade, a natureza, deus, os deuses, o que for – nunca esteve no final de nenhuma generalização indutiva ou dedutiva, mas no modo como se desenham e constroem os templos, nas linhas e destinos humanos de uma epopeia, tragédia ou mito, no sentido iluminante de um verso ou na forma que uma escultura fixou para algum tipo de eternidade. A arte é portanto um meio de conhecimento e uma fonte de verdade, mas que conhecimento e verdade são esses? O seu interesse para a filosofia hermenêutica e para a antropologia reside no facto de ser um conhecimento sobre a interpretação, e por isso um conhecimento sobre o conhecimento, uma verdade sobre a verdade.”
[LGS]
É preciso abrir caminhos, alguém tem de ir à frente para rasgar horizontes e decobrir novos mundos para que outros possam dissertar.