Comunidade Imaginada

:: coisas da antropologia ::

«Anthropology Now»

Finalmente, alguém se lembrou de concretizar este projecto: divulgar, numa linguagem acessível aos leitores comuns, o olhar antropológico sobre acontecimentos quotidianos. Dizem os editores do jornal “Anthropology Now“, cheios de razão, que a “antropologia cultural” tem uma perspectiva única e crítica sobre muitos dos temas actuais, desconstruindo estereótipos veiculados pelo senso comum,  mas não possui a visibilidade pública de outros sub-domínios da antropologia, nem de outras ciências sociais.

“Anthropology Now seeks to reclaim a voice for anthropology in public debate, not by simplifying complex problems but by conveying anthropological knowledge in clear and compelling prose focused on telling examples and accompanied by illustrative graphics. Margaret Mead once made cultural anthropology a common subject at dinner table conversations across the United States. Today, too many of our important conclusions have fallen off the radar screen of public consciousness. This journal builds on a growing commitment in the field of anthropology to make our research findings open and accessible to the world outside the confines of the academy.

Cultural anthropology is often stereotyped, exoticized and trivialized in the media. Important controversies over theoretical issues have been labeled “anthropological cannibalism” in recent news articles. The idea that anthropology has theoretical and methodological discussions with scholarly depth is ridiculed and the debates trivialized. Topics such as the lives of the Yanomami or the Ju’\hoansi (to whom cultural anthropology has devoted decades of scholarship) are reduced to a battle of personalities or political interests. Anthropology Now will strive to present equally riveting controversies but informed by scholarly research.” [about/mission]

George Marcus, um dos autores/impulsionadores do “Writing Culture“, que recentemente defendeu que não há “ideias novas” em antropologia, afirmação contestada por Maximiliano Forte e Lorenz Khazaleh, integra o corpo editorial deste “magazine”. Oxalá não seja ele “o pessimista de serviço” ao projecto.

E, já agora, percorrendo o “Anthropology Now”, descobri que “anthropologie” também é nome de loja, de uma cadeia de mais de 100 lojas nos EUA, que comercializam roupas, jóias, acessórios, artigos para casa, objectos decorativos e outros artefactos, inspirados em temas e desenhos “exóticos” (a preços igualmente “exóticos”). Ora, como todos os comuns com senso sabem, “antropologia” e “exótico” são praticamente sinónimos – um dos tais estereótipos a esconjurar do domínio das ideias públicas.

[Actualização]: Jason Baird Jackson, num longo comentário, coloca algumas questões pertinentes aos editores de «Athropology Now».

[CM]

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