Comunidade Imaginada

:: coisas da antropologia ::

Arquivo de diversos

Lévi-Strauss e o estruturalismo em BD

Publicado no Financial Times.

[CM]

Turismo, Património e Usos da Cultura: convite para participação em painel temático

Recebi um pedido de divulgação do seguinte convite:

Gostávamos de vos convidar a participar, através do envio de propostas de comunicação, no painél temático que estamos a organizar no IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, que decorrerá entre 9 e 11 de Setembro de 2009.

A motivação para a proposta deste painel surge em grande parte da necessidade de diálogo, de partilha de experiências e de enquadramento teórico da nossa própria investigação que é antes de mais um work in progress, encorajamos portanto a participação de estudantes e jovens investigadores tal como nós.

Turismo, Património e Usos da Cultura

COORDENAÇÃO
Joana Lucas (FCSH – UNL/CRIA) joana.i.lucas@gmail.com
Raquel Carvalheira (CRIA) raquelcarvalheira@hotmail.com

RESUMO
A proposta deste painel parte da premissa que património e cultura são constantemente alvo de reconfigurações e apropriações por parte de populações que os incorporam nas práticas e nos discursos do seu quotidiano, e que deles extraem novos e activos significados.
O objectivo será que através de estudos de caso, se possa mapear diferentes experiências em terrenos turistificados ou patrimonializados, onde a cultura seja apropriada como um recurso afirmativo ou reivindicativo. Tendo como pano de fundo que é uma apropriação da cultura que está na base destes processos, interessa compreender quais os recursos identitários que são postos em jogo e de que forma são enquadrados por linhas políticas e económicas mundiais, mobilizadas e operacionalizadas por instituições nacionais e internacionais.
Assim propomos discutir paralelamente as novas configurações políticas dos binómios tradição/modernidade e autenticidade/simulacro em terrenos turistificados e/ou patrimonializados, conjuntamente com outros igualmente políticos – local/global, dominação/ resistência, que emergem de arenas em que a cultura se tornou uma condição essencial para a defesa dos direitos humanos e uma bandeira para movimentos sociais e agentes de desenvolvimento que argumentam em prol da diversidade.

Joana Lucas e Raquel Carvalheira

Aqui fica o desafio.

A antropologia explicada aos taxistas

«Ontem fui ver a definicão de antropologia e fiquei na mesma: parece ser uma área imensa, forçosamente muito interdisciplinar e sem contornos muitos definidos», dizia-me um amigo, inquieto sobre a minha principal ocupação de tempo e interesses.

Numa resposta apressada, ocorreu-me sugerir-lhe que a antropologia está para a sociologia, como a psicanálise para a psiquiatria: é mais ou menos a mesma coisa, mas vai mais fundo, leva mais tempo e sai mais caro. E a qualidade dos resultados é outra.

[CM]

A eleição de Obama comentada nos “antro-blogues”

Numa volta rápida pelos blogs (uns mais, outros menos) ligados à antropologia, à procura de um “olhar antropológico” sobre o caso Obama, recolhi estes registos:

Savage Minds: Everybody’s President? (News from Nairobi)

“I was still at the Starbucks in Dublin airport when Obama’s speech was broadcast live after the election was called. There was Oprah crying, and Jesse Jackson. An anthropologist friend and I exchange text messages. I note the giant glass walls on the stage. He txts with characteristic brilliance: ‘teardrop guards’. Yes I’m tearing up, especially when-this truly thrilled me-especially when Obama talked to people ‘listening to radios’ in remote parts of the world. I thought to myself, who but Obama on this occasion would bother to remember those folks and to speak to them? This man can be a president of a different order altogether. Perhaps the often jingoist phrase ‘leader of the free world’ might gain new meaning, might be resignified, for a new generation…” [+]

Os Tempos que Correm: hOpe

“Na sequência da vitória de Obama, o assunto mais falado parece ser a “raça”. Mesmo sendo Obama filho de um queniano e de uma “branca” americana, as representações raciais americanas colocam-no na categoria “negro”. A sua mestiçagem – e a sua origem “estrangeira” – não conseguem ultrapassar o sistema da one drop rule e de uma percepção absolutamente dicotómica da cor. Mas o sucesso de Obama simboliza duas grandes transformações que estão a ocorrer na sociedade americana: o crescente cruzamento das fronteiras raciais e os bons resultados das políticas de “discriminação positiva” (na realidade affirmative action…)” [+]

Os Tempos que Correm: Judith Butler após a vitória de Obama

“O JoaoLuc traduziu este texto de Butler: […] A questão é saber em que medida a “des-ilusão” é necessária, de forma a regressarmos à política crítica e, que forma violenta de “des-ilusão” nos fará voltar ao intenso cinismo político dos últimos anos. (…)»” [+]

antropologi.info: Who has the right to vote? Anthropology News on US-election

“If you need anthropological perspectives on the US-election Obama-McCain, you’ll find them in the new issue of Anthropology News. One of the articles is about a study on voting, politicial participation and citizenship among individuals with psychiatric disability.” [+]

Culture Matters: The angst of anticipation

“I know it’s not anthropology, but. Can I just say. That I cannot concentrate. On anthropology or anything else. Because all I can think about are the U.S. elections (…)” [+]

Open Anthropology: Yes You Can. Yes You Did.

“(…) It was very tempting, on many occasions, to simply shout support for Barack Obama. Everyone he ran against seemed determined to make him look good. I started posting months ago about Hillary Clinton’s smear campaign, and the vile undertones of racism that emerged early on. I am personally very relieved not to have to hear from McCain and Palin again, and especially the latter who distinguished herself for her unforgivable ignorance, malice, and sheer dishonesty. Goodbye, get lost, you lost.

Without a doubt, I will return to criticizing the next government of the U.S. to the extent that President-elect Obama lives up to his word to expand the war in Afghanistan and to station tens of thousands of troops in Iraq even past a “withdrawal” date(…)” [+]

[CM]

Guerras “boas” e guerras “más” e a antropologia no meio

David Price, antropólogo que tem estado activamente envolvido no debate sobre a participação de cientistas sociais em brigadas militares em cenários de guerra no Afeganistão e no Iraque (Humain Terrain Teams), publicou recentemente um trabalho de investigação sobre a colaboração de antropólogos com o exército americano na II Guerra Mundial, Anthropological Intelligence: The Deployment and Neglect of American Anthropology in the Second World War.

Baseando-se em documentos vários, relatórios governamentais, cartas e obituários de antropólogos e em entrevistas, Price estima que mais de metade dos antropólogos americanos estiveram envolvidos em projectos vários, de contra-informação e outros, no exército americano.

Analisando o papel e posições públicas das associações profissionais, como a “American Anthropological Association” e a “Society for Applied Anthropology”, Price afirma que poucos antropólogos colocavam a
interrogação ética suscitada por este compromisso activo da antropologia com os assuntos militares.

Roberto J. Gonzalez, numa recensão do livro publicada na revista Anthropological Quarterly, afirma:

“Price’s careful synthesis and analysis leads to an extraordinarily powerful and well-informed critique of wartime anthropology for the military, even in a “good war” against fascism. Such anthropology is too easily compromised by ” the captive thinking of a government bureaucracy” under military control during WWII (…) Price’s work reveals that even in a “good war” like WWII, anthropologists often stood on ethically shaky ground when working for military and intelligence agencies, and some of them came to regret the long- term consequences of their participation. In addition, the book reveals that the during the war, military officials had a tendency of “selectively ignoring and selectively commandeering social scientists’ recommendations” (p. 198). All too often, anthropologists had little impact on policy making and functioned as cogs in large bureaucracies with clearly established goals. In worst- case scenarios, he notes that anthropologists may “often find themselves doing ‘piecework’ on large projects that have grand designs beyond their control or comprehension'” (p. 142). Price’s accounts also dramatically illustrate how secretive research can be pernicious and long-lasting-especially in a time of war: “those who committed anthropology to warfare in this context were unaware that their actions were releasing a genie from a bottle, unleashing forces they could not control in new, unimagined Cold War contexts” (p. 280).”

[O seu a seu dono: visto em antropologi.info]

[CM]

Citação

Ele às vezes há mesmo coisas assim: em leituras zapping pelos blogs do costume, a gente cai, de repente e desprevenida, num post e pensa alto: “é isto mesmo!”. Foi o que me aconteceu há pouco quando li a elegância com que Miguel Vale de Almeida se refere à mumificada* Manuela Ferreira Leite: um “curioso achado da egiptologia cavaquista“. Daqui não dá para ver, mas estou a dar uma gostosa gargalhada. Na mouche!

* múmia
nome feminino
1. cadáver embalsamado e conservado por um processo conhecido dos antigos Egípcios
2. figurado pessoa que não evoluiu nos seus ideais ou conceitos
3. figurado, pejorativo pessoa muito velha e magra
(Do ár. múmai, «que está em cera»)

em Infopédia, Dicionário da Língua Portuguesa (on-line)

[CM]

Jill Dias (20.03.1944 – 28.04.2008)

O departamento de Antropologia da FCSH-UNL estará amanhã de luto pela morte da Professora Jill Dias.

Apagou-se uma luz brilhantemente discreta na Academia.

Jill Dias, 20.03.1944 – 28.04.2008
Professora Catedrática da F.C.S.H. – Depto. de Antropologia

O seu corpo ficará em câmara ardente na Igreja de Santa Joana Princesa a partir das 17h30 de dia 5 de Maio (2ªfeira), donde seguirá o funeral no dia 6 de Maio (3ªfeira) às 14h, para o cemitério do Alto de S.João.