Comunidade Imaginada

:: coisas da antropologia ::

Arquivo de livros

“O Essencial Sobre” série Antropologia da Angelus Novus

Cultura e Cognição
Luís Quintais
Angelus Novus, 2009.

(“O Essencial Sobre” – Biblioteca Mínima, série Antropologia, coord. Luís Quintais)

“A mente é função de uma variedade de modelos neurológicos de diferentes graus de flexibilidade, o que nos permite justificar quer a diversidade psíquica da espécie quer a sua unidade psíquica essencial. À luz disto, podemos realizar ainda como o debate unidade/diversidade se baseia numa falsa dicotomia. Esta falsa dicotomia entre unidade e diversidade traduz uma outra: a separação entre a mente e acultura, ou, de outro modo, e para esclarecer o equívoco que aí habita, entre a suposta estruturação universal do contínuo cérebro-mente e a contingência e flutuação empírica dos modos de vida em que se desbobram as culturas humanas.”

Explicação e Hermenêutica
Filipe Verde
Angelus Novus, 2009.

(“O Essencial Sobre” – Biblioteca Mínima, série Antropologia, coord. Luís Quintais)

“Algumas obras humanas têm um poder magnético sobre os homens, no sentido em que, geração após geração, não apenas os acompanham mas também delimitam severamente a sua visão e entendimento de si e do mundo, e essas obras são invariavelmente o que nós chamamos obras de arte. O que define cada comunidade, o seu modo único e sempre total de ser – o seu entendimento do que é um ser humano, a sociedade, a natureza, deus, os deuses, o que for – nunca esteve no final de nenhuma generalização indutiva ou dedutiva, mas no modo como se desenham e constroem os templos, nas linhas e destinos humanos de uma epopeia, tragédia ou mito, no sentido iluminante de um verso ou na forma que uma escultura fixou para algum tipo de eternidade. A arte é portanto um meio de conhecimento e uma fonte de verdade, mas que conhecimento e verdade são esses? O seu interesse para a filosofia hermenêutica e para a antropologia reside no facto de ser um conhecimento sobre a interpretação, e por isso um conhecimento sobre o conhecimento, uma verdade sobre a verdade.”

[LGS]

Bibliografia Analítica de Etnografia Portuguesa, de Benjamim Pereira

O Instituto dos Museus e da Conservação re-editou, em versão fac-similada, a obra  de Benjamim Pereira “Bibliografia Analítica de Etnografia Portuguesa, de 1965. Esgotada há muitos anos, pode ser agora baixada gratuitamente, em formato pdf, no site do IMC.

“Encontrando-se esgotada a sua edição original (1965), a sua amplitude – temática, geográfica e temporal – impunha desde há muito a reedição desta obra, bem como a sua ampla e livre disponibilização às muitas entidades empenhadas na salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

Composta como fac-simile da edição original, a presente edição electrónica, coordenada e executada pelo DPI, conta com Prefácio de João Leal (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa), no qual dá conta da importância que a Bibliografia Analítica tem assumido para sucessivas gerações de estudiosos do Património Cultural Imaterial em Portugal. ” (extracto do texto de apresentação no site do IMC).

[CM]

As campanhas de dinamização cultural do MFA em livro

capaLançamento do livro “Camponeses, Cultura e Revolução. Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA (1974-1975)”, dia 30 de Abril, às 18.30 h, na Associação 25 deAbril (Rua da Misericórdia, 95, em Lisboa).

Do texto do convite:

“Camponeses, Cultura e Revolução. Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA (1974-1975)” de Sónia Vespeira de Almeida é uma obra sobre uma das acções mais singulares da transição democrática portuguesa – as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA – através das quais é possível conhecer o país que a revolução de 1974 descobriu.

Sónia Vespeira de Almeida é antropóloga. Nasceu em Lisboa em 1973.

Doutorou-se em Antropologia do Simbólico e da Cultura, no ISCTE, em 2008.

É investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia. Nos últimos anos tem-se interessado por duas áreas temáticas principais: construção da ruralidade e usos políticos da cultura.

Em 2008 foi distinguida com a menção honrosa do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea.

A apresentação do livro será feita por João Leal, Paula Godinho e Vasco Lourenço.

Livro de John L. Esposito dá voz a 1 bilião de muçulmanos

Who speaks for Islam?

Os resultados de um inquérito extensivo, abrangendo cerca de 90% da comunidade muçulmana em mais de 35 países, são divulgados num livro de John L. Esposito e Dalia Mogahed, Who Speaks for Islam? What a Billion Muslims Really Think, publicado em Março pela Gallup Press, a editora do instituto de sondagens Gallup.

O site da Gallup Press publica alguns excertos do livro (Islam and the West: Clash or Coexistence?, What Do Muslim Women Want?, What Makes a Radical?, entre outros).

Esposito apresenta o livro no blog The Immanent Frame e numa entrevista ao CounterPunch, “Who Speaks for a Billion Muslims?”; e no blog Nouvelles d’Orient, do Le Monde Diplomatique, uma recensão (“Que veulent les musulmans?”, por Alain Gresh) resume alguns dados resultantes do inquérito e apresentados no livro.

No texto de apresentação do livro, em The Immanent Frame, Esposito afirma:

The politicization of scholars, experts and media commentators post 9/11 has created a minefield for policymakers and the general public. Many are caught between the contending positions of seemingly qualified experts as well as a new cadre of Islamophobic authors and their revisionist readings of Islam and Islamic history. Today, we now have a new empirically grounded tool that enables us to go beyond the limited interpretations and opinions of experts when asking: What do Muslims think, what do they care about, and what do they want?

The Gallup Organization has produced the largest, most comprehensive polling/study of Muslims ever done, based on a sample representing more than 90% of the world’s 1.3 billion Muslims: young and old, educated and illiterate, female and male, living in urban and rural settings. Between 2001 and 2007, Gallup conducted more than 50,000 hour-long, face-to-face interviews with residents of more than 40 nations that are predominantly Muslim or have substantial Muslim populations.

The result is the book Who Speaks for Islam? What a Billion Muslims Really Think, which I co-authored with Dalia Mogahed, Director of the Gallup Center for Muslim Studies. The results are often startling, challenging the conventional wisdom, and we expect them to stir both interest and debate. (Rethinking secularism: Who speaks for Islam?, posted by John Esposito).

The Secret Museum of Mankind

O seu a seu dono: curiosidade encontrada em Photoetnography.com.

Transcrevo integralmente o texto da página de entrada no “museu”:

Published in 1935, the Secret Museum is a mystery book. It has no author or credits, no copyright, no date, no page numbers, no index. Published by “Manhattan House” and sold by “Metro Publications”, both of New York, its “Five Volumes in One” was pure hype: it had never been released in any other form.

Advertised as “World’s Greatest Collection of Strange & Secret Photographs” and marketed mainly to overheated adolescents (see the 1942 ad in Keen, left), it consists of nothing but photos and captions with no further exposition. This was not a book published to educate (despite appearing on some public library’s shelves), but to titillate (literally)– it’s emphasis was on the female form (“Female Beauty Round the World”) and fashion, and it featured as many National-Geographic-style native breasts as possible. But anything lurid, weird, or just plain unusual is fair game. This was a book to gawk at by flashlight under the bedcovers.

The Secret Museum is organized into five “albums” (America, Africa, Asia, Europe and Oceania), but within those areas it’s a jumble with no order, laid out to fit as many photos as possible per page. Strangely, there isn’t a single photo from the United States– it skips from Mexico north to Canada as if nothing were in between.

The photos themselves range in quality from fair to atrocious, with almost all being bad or very bad. Grainy, damaged, and either too-low or too-high contrast, they appear to have been copied from scratchy, abused tomes such as Hammerton’s Peoples of All Nations (1922), Johnston and Guest’s The World of To-Day (1907) and others, without attribution.

The tone of the commentary is dated, and uniformly racist in the extreme, often hilariously so. It reads like the patter of a carnival sideshow barker, from a time when the world was divided between “modern” Europeans and “savages”. The photos were taken from the 1890s through the early 1930s, with period commentary to match. This was the era of eugenics (“the self-direction of human evolution”) before it acquired a terminal taint thanks to Nazi Germany.

The assumption is that this was a get-rich-quick scheme: copy “1,000” (actually 994) photos and captions verbatim from various sources with no credit, print them badly on cheap paper, sell thousands of copies for $1.98, make a bundle, then take the money and run. Yet, it was still for sale in 1942, seven years after first being released. Why wasn’t it shut down by the parties who were infringed? Were they involved? It’s a mystery.

Presented here is the Secret Museum in its entirety, all 564 pages scanned and transcribed– nothing is omitted or censored. However, I’ve cleaned up the images somewhat, paginated, added thumbnail galleries, an index, and a copy of a 1942 magazine ad. Treat it as entertainment instead of education (don’t take it seriously and don’t believe a word it says!), adjust for the blatant racial bias of the time, and enjoy.

The Secret Museum’s photos and text are released under the Creative Commons Attribution-Noncommercial 3.0 license. You may copy, distribute, display, and perform the Secret Museum for non-commercial purposes provided you attribute your work as derived from this source.

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[CM]

Edições do Instituto Português de Museus com desconto

O Instituto Português de Museus promove de 15 de Novembro a 30 de Dezembro o “Natal do Livro”.

Durante este período, a grande maioria das publicações, designadamente livros de museologia, estudos, monografias, catálogos de colecções e catálogos de exposições temporárias, todos ilustrados com imagens de grande qualidade, reveladoras da riqueza das vastas colecções de arte, arqueologia e etnologia à guarda dos museus nacionais, estarão à venda com descontos que em muitos casos poderão ascender aos 80% sobre o preço de capa. [IPM – Natal do Livro]

Em Lisboa, na Gestão de Lojas de Museus, Palácio Foz, Praça dos Restauradores.
Telefone: 21 3478333/4 ou mail: lojas@ipmuseus.pt

WorldCat.org

O WorldCat é um catálogo online de (1 bilião) de livros pesquisáveis em (cerca de 10.000) bibliotecas (supostamente) em todo o planeta. O projecto é inútil para pesquisas em bibliotecas portuguesas. Mas vale a pena pesquisar o WorldCat se o objectivo não for encontrar um livro na biblioteca mais próxima (e, por falar em bibliotecas, ando com uma vontade danada de postar sobre as bibliotecas portuguesas e, entre elas – e sobretudo – as municipais lisboetas).

Se o objectivo for encontrar livros publicados por determinado autor, ou um título de que se conhece poucas referências, ou se pudermos ir a correr à biblioteca mais próxima em Inglaterra, em França, na Alemanha ou nos Estados-Unidos, ou se formos simplesmente curiosos e gostarmos de explorar a diversidade de recursos que a internet propõe, então o WorldCat é realmente fabuloso.

Exemplificando: uma pesquisa sobre um antropólogo português (o primeiro que me veio à ideia foi o Miguel Vale de Almeida) devolve três páginas de resultados. Seleccionando o segundo título, fico a saber que a obra de MVA, The hegemonic male: masculinity in a Portuguese town, editada pela Berghahn Books em 1996, se encontra em bibliotecas em França, no Reino Unido, na Holanda, na Alemanha, no Canada, no Maine, em Massachusetts, em New Hampshire, no Quebec e em Rhode Island. Acedo a uma recensão, por Charles R. Menzies, posso ainda comprar o livro na Amazon (por $55 USD!!), adicioná-lo aos favoritos e mais umas quantas possibilidades de interagir com o livro, no Google Books e no Google Scholar. E atenção à coluna da esquerda que nos leva a mais informação.

Por mera curiosidade: na lista de países onde me dizem que o livro existe, selecciono aleatoriamente a segunda opção e descubro que ele está disponível em cinco bibliotecas britânicas. Entre estas, opto pela Cambridge University que me dá todas as informações necessárias para encontrar a obra (incluindo uma planta do quinto andar do edifício da biblioteca!).

É também possível, desde que se faça um registo gratuito no site, exportar bibliografias a partir de pesquisas efectuadas.

[CM]